Consumo de etanol cai 40 % de 2009 a 2012

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Imagem: Kym McLeod, SXC Imagem: Kym McLeod, SXC

04/11/2013

A política do governo de controlar os preços da gasolina fez o consumo de etanol despencar no país. Entre 2009 e 2012, o consumo do álcool hidratado de cana-de-açúcar caiu 40%, de 16,5 bilhões de litros para 10 bilhões de litros, enquanto o da gasolina cresceu de 25,4 bilhões de litros para 40 bilhões de litros.

- O produtor não tem estímulo para produzir com rentabilidade, mas o que mais incomoda é essa falta de previsibilidade nos preços - diz Antonio de Pádua Rodrigues, diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

Segundo ele, com a política de represamento de preços da gasolina para conter a inflação, entre 2006 e 2013 a gasolina foi reajustada na bomba em apenas 12%.

- Nesse período, a inflação subiu e caiu, houve valorização e desvalorização do real e o cenário do mercado de combustíveis, graças ao governo, não mudou - criticou Pádua.

A decisão do governo de criar regras mais claras para os reajustes da gasolina, avalia o executivo, é um começo, já que trará previsibilidade para os produtores de etanol. Mas não resolve os problemas criados depois de todos esses anos de incentivos à gasolina, como a paralisação dos investimentos e o fechamento de muitas usinas.

- Os preços da gasolina, ao contrário dos de etanol, não acompanharam as regras de mercado - diz, lembrando que o preço do etanol tem um teto atrelado a 70% do valor pago pela gasolina, já que o consumo dos motores flex é 30% maior que o do combustível fóssil.

Pádua reconhece, no entanto, que bem recentemente houve avanços na política do governo com o setor e cita a desoneração do PIS/Cofins para o etanol, em abril, o aumento do percentual de mistura na gasolina e a alta do dólar, que remunera melhor os produtores nas exportações tanto do etanol como do açúcar. As medidas, embora positivas, diz ele, são ainda insuficientes para trazer de volta a competitividade à produção do combustível no país.

Hoje, apenas nos estados de Goiás, Mato Grosso, Paraná e São Paulo o preço do etanol está competitivo em relação ao preço da gasolina. Por isso, além de regras claras, Pádua defende uma política de incentivos para as montadoras aumentarem a eficiência dos motores.

- Só assim o etanol pode ficar mais viável para o produtor e para o consumidor.

Fonte: O Globo, por Lino Rodrigues