Distribuidoras querem que governo mantenha ajuda financeira em 2014

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Imagem: Aaron Beall, SXC Imagem: Aaron Beall, SXC

23/12/2013

As distribuidoras de energia elétrica vão voltar a pedir ajuda financeira do governo para cobrir a alta dos custos projetados para 2014. De acordo com o presidente da associação das distribuidoras (Abradee), Nelson Leite, o setor pode ter aumento de despesas de até R$ 13 bilhões no ano que vem, provocado, entre outros fatores, pela decisão de adiar, de 2014 para 2015, a entrada em vigor do novo sistema de repasse mensal da conta gerada pelo uso de termelétricas.

 Em março de 2013, o governo autorizou socorro às concessionárias para cobrir gastos adicionais com o despacho das usinas térmicas, devido à queda no nível dos reservatórios de hidrelétricas no verão passado. A ajuda, que termina neste mês de dezembro, foi necessária porque as distribuidoras diziam não ter dinheiro suficiente em caixa para custear essas despesas. Entre março e novembro, o governo repassou R$ 9,6 bilhões às empresas.

Leite diz, porém, que as distribuidoras continuarão a enfrentar dificuldades para cobrir suas despesas em 2014 e que o plano de investimentos do setor, além da “adimplência setorial”, estarão comprometidos se o governo não aceitar manter o auxílio às empresas pelos próximos meses.

Aponta ainda que esse aumento de custos das distribuidoras vai gerar impacto para os consumidores, já que é repassado para a tarifa de energia. “Se não houver uma solução, o reajuste da conta de luz pode ter um incremento médio de até 13 pontos percentuais”, disse ele.

Hoje, o governo já vem usando recursos do Tesouro para socorrer as distribuidoras.

Causas do problema
Esse aumento de despesas é resultado de alguns fatores. Um deles é o resultado do leilão para fornecimento de energia para curto prazo, realizado na terça (17), em que as distribuidoras só conseguiram comprar 40% da energia que faltava para atender à demanda prevista para 2014.

Por conta disso, as empresas podem ser obrigadas a cobrir esse “buraco” comprando energia no mercado à vista, onde se paga mais caro pelo insumo. A Abradee alega ainda que mesmo a energia comprada no leilão de terça ficou com preço superior ao previsto, e elas terão que ser compensadas por essa diferença.

Na quarta (18), o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse que o governo pode autorizar novos leilões de energia para evitar que as distribuidoras tenham que comprar no mercado à vista.

Bandeiras tarifárias
Outro fator que contribui para a elevação da conta foi a decisão, tomada nesta semana pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), de adiar de 2014 para 2015 a entrada em vigor do sistema de bandeiras tarifárias, criado para permitir o repasse mensal aos consumidores dos gastos com a geração de energia pelas termelétricas.

Pela regra vigente hoje, as distribuidoras pagam, em um primeiro momento, pela diferença de custos da energia gerada pelo uso das térmicas. E o repasse é feito aos consumidores uma vez ao ano, no reajuste das tarifas. Mas com o maior despacho dessas usinas desde o final de 2012, provocado pela queda no nível dos reservatórios das hidrelétricas, as concessionárias reclamaram que não teriam condições de arcar com a despesa, o que levou o governo a anunciar a ajuda a elas em março.

O presidente da Abradee diz que já levou o problema a representantes do governo, entre eles o ministro Edison Lobão. Mas que, nas próximas semanas, a entidade pretende iniciar uma nova rodada de reuniões para convencer o governo a manter a ajuda financeira às distribuidoras em 2014.

Fonte: G1, por Fábio Amato