Moagem de cana a todo vapor

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24/03/2013

Sem ter feito novos investimentos nos últimos anos, o setor sucroalcooleiro deve usar quase toda a sua capacidade instalada para o processamento da safra 2013/2014 de cana-de-açúcar. De acordo com a Datagro, as indústrias do Centro-Sul do país utilizarão 97,5% da capacidade operacional, estimada em 602 milhões de toneladas. A moagem para a região é projetada em 587 milhões (t), ainda de acordo com a consultoria.

A Raízen, joint venture entre a Shell e a Cosan, por exemplo, deve operar com 95% de sua capacidade, de 65 milhões (t). A empresa projeta aumentar a moagem de 8% a 10% em 2013/2014, para algo entre 60 milhões e 62 milhões (t). Em São Paulo, a Usina Pitangueiras, na região de Ribeirão Preto, deve usar 96% de sua capacidade, de 2,5 milhões (t), durante o ano-safra. Para atenuar possíveis estrangulamentos na produção e permitir o processamento de toda a matéria-prima, as indústrias estão prolongando a temporada, segundo Fernando Vicente, diretor Industrial da Usina Alta Mogiana, também na região de Ribeirão Preto.

"Na prática, as usinas estão começando a safra mais cedo, em março, e estendendo-a até meados de novembro, às vezes até dezembro", diz. No Paraná, a Destilaria da Companhia Melhoramentos Norte do Paraná deu início à safra em 22 de fevereiro, aproveitando-se do clima favorável para a colheita. O presidente da União dos Produtores de Bioenergia (Udop), Celso Junqueira Franco, diz, no entanto, que o prolongamento do ano-safra pelas usinas pode não ser a solução ideal. "Se as usinas começarem muito cedo ou terminar muito tarde, há o risco de pegarem um período de muitas chuvas, prejudicando a moagem". Ele comenta que o período ideal do ciclo vai da 1ª quinzena de abril até a 1ª quinzena de novembro, mas já há indústrias trabalhando com um intervalo maior.

Em outros tempos, afirma Franco, prolongar o ano-safra ou trabalhar com quase 100% da capacidade significava ter de fazer novos investimentos. "Só que não temos visto nenhum apetite nesse sentido", diz, referindo-se à crise que se abate sobre o setor desde 2008. Levantamento do Itaú BBA mostra que apenas 36% das usinas do Centro-Sul estão com pleno acesso a capital. Outras 29% apresentam endividamento adequado, mas 16% precisam passar por algum tipo de recuperação e 18%, por processos de fusão ou aquisição.

Fonte: Gazeta Digital, escrita por José Roberto Gomes