Produtores de celulose conseguem captar benefício do câmbio

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15/06/2015

Os exportadores brasileiros têm visto os ganhos potenciais gerados pela maior alta do dólar em seis anos serem corroídos pela queda nos preços das commodities e a alta nos custos.

Os fabricantes de celulose são a exceção.

Enquanto as margens brutas de lucro dos produtores de minério de ferro, carne bovina e soja caíram, em média, 4,6 pontos percentuais no primeiro trimestre, para 18 por cento, as margens das fabricantes de celulose Suzano Papel e Celulose SA e Fibria Celulose SA subiram 9,9 pontos percentuais, para 36 por cento, em média, segundo dados compilados pela Bloomberg.

O real se desvalorizou em 17 por cento em relação ao dólar nos três meses até 31 de março, a maior queda entre as principais moedas, enquanto a economia brasileira caminha para a pior recessão desde 1990.

O dólar mais forte aumenta as receitas dos exportadores, já que eles passam a receber mais reais para cada dólar pago no exterior.

No entanto, de modo geral, esse ganho tem sido anulado por quedas ainda maiores dos preços das commodities e do volume de embarques, bem como por um aumento nos custos de produção. Isso não ocorre com os produtores de celulose, que vêm conseguindo aumentar seus preços em dólar.

“O setor de celulose está em um momento muito positivo”, disse Victor Penna, analista sênior de ações do BB Investimentos, por telefone, de São Paulo. “A demanda da China está bastante forte e deve se manter em níveis altos nos próximos anos”.

Celulose em alta
Os preços de referência da celulose subiram 5,5 por cento nos últimos 12 meses, o que contrasta com um declínio de 25 por cento no índice de commodities da Bloomberg, que monitora uma cesta de produtos primários, como petróleo, minério e soja.

O lucro bruto da Suzano subiu 95 por cento no primeiro trimestre, o maior crescimento entre as empresas presentes no Ibovespa, para recordes R$ 759 milhões.

O lucro bruto da Fibria deu um salto de 83 por cento, o maior depois do da Suzano, atingindo a marca histórica de R$ 725 milhões, segundo dados compilados pela Bloomberg.

A Fibria teve a maior margem de lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização entre os 45 membros do Bloomberg World Forest Products Paper Index no último trimestre, com 49 por cento.

As ações da Fibria, que tem sede em São Paulo, estão em alta de 32 por cento neste ano, enquanto a Bovespa subiu 6 por cento.

Preços da celulose
A demanda forte de China, EUA e Europa provavelmente permitirá que a Fibria aumente os preços da celulose em US$ 20 a tonelada neste mês, disse o CEO Guilherme Cavalcanti, em entrevista, em 20 de maio.

“As condições de mercado indicam que poderemos implantar esse incremento e gerar ainda mais caixa”, disse Cavalcanti, por telefone, de São Paulo.

A Fibria obtém cerca de 90 por cento de suas receitas com exportações, o que significa que uma desvalorização de 10 por cento no real adiciona cerca de R$ 760 milhões ao seu fluxo de caixa, disse Cavalcanti.

“A taxa de câmbio é o principal impulsor”, afirma o executivo.

Mais ganhos
A Suzano, cujas ações estão em alta de 44 por cento neste ano, preferiu não comentar a perspectiva do mercado.

As ações do setor de celulose têm potencial para continuar subindo se o real continuar perdendo valor em relação ao dólar, disse Penna.

O real cairá para R$ 3,30 por dólar até o fim do ano, contra R$ 3,11 atualmente, segundo a estimativa média dos analistas acompanhados pela Bloomberg.

“O modelo de avaliação dessas empresas é muito sensível ao câmbio”, disse Penna.

Fonte: Exame.com, com informações da Bloomberg (escrita por Gerson Freitas Jr. e Denyse Godoy)