Seca leva usinas a encerrarem a safra antecipadamente

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Claudia Meyer, SXC Claudia Meyer, SXC

22/09/2014

Ao menos cinco usinas de cana da região de Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo) vão antecipar a atual safra por causa da seca, uma das piores da história.

O problema, de acordo com as indústrias, é a falta de matéria-prima. A longa estiagem afetou a formação dos canaviais, pois as plantas não se desenvolveram.

Marcos Guimarães de Andrade Landell, pesquisador do IAC (Instituto Agronômico de Campinas), da Secretaria de Estado da Agricultura, disse que o principal fator para o não desenvolvimento ideal da cana foi a falta de chuvas nos meses de janeiro e fevereiro.

“É neste período [janeiro e fevereiro] que a cana mais cresce. São dias mais longos, temperaturas mais altas, com maior incidência solar. O que faltou foi a chuva”, disse. “Esse deficit hídrico inibiu o desenvolvimento das plantas.”

A usina São Francisco, em Sertãozinho (a 333 km de São Paulo), deve terminar a safra este ano no dia 20 de outubro. No ano passado, o encerramento ocorreu no dia 29 de novembro.

Jairo Balbo, diretor do grupo Balbo, que administra a usina, disse que a falta de chuvas prejudicou a lavoura. “Esperávamos mais [chuva], mas não veio. A produtividade caiu”, afirmou.

A São Francisco moeu, em 2013, 1,301 milhão de toneladas de cana. Neste ano, a expectativa é 1,150 milhão.

Os reflexos da seca também serão sentidos na usina Pitangueiras, em Pitangueiras (a 364 km de São Paulo), que vai antecipar o fim da safra em ao menos 15 dias.

Prevista inicialmente para a segunda quinzena de novembro, a moagem deve terminar no final de outubro.

O gerente agrícola da usina, Eduardo Prezinhas, disse que em 2013 a moagem na unidade atingiu 2,32 milhões de toneladas. Neste ano, a previsão é moer 2,2 milhões de toneladas. “Houve queda na produtividade. Há menos cana para moer.”

Na usina Tamoio, em Araraquara (a 273 km de São Paulo), a safra em 2013 terminou em 13 de dezembro. Este ano, a previsão é que a moagem siga até novembro.

Na usina Santa Adélia, em Jaboticabal (a 342 km de São Paulo), a safra passada terminou na segunda semana de dezembro. Na atual, será em 19 de novembro.

‘SOCORRO’
Na usina da Pedra, em Serrana (a 313 km de São Paulo), a safra no ano passado terminou no dia 14 de dezembro. Neste ano, acabará no dia 1º de dezembro, graças à cana vinda de Santa Rosa de Viterbo (a 283 km de São Paulo). Caso contrário, as atividades seriam encerradas já em outubro ou novembro.

A operação, planejada desde o ano passado, não foi decidida por causa da seca, mas vai ajudar a unidade de Serrana a moer mais cana do que no ano passado.

“Há menos cana para moer neste ano”, disse Marcos Paulo de Lima, supervisor de manutenção. “A opção da unidade em Serrana foi trabalhar com a cana que seria destinada para a usina em Santa Rosa, com o objetivo de otimizar os custos.”

Num cenário sem o “reforço”, a produtividade cairia em 2014. No ano passado a, moagem atingiu 4,13 milhões de toneladas. Este ano, deve atingir 4,60 milhões.

A Unica, instituição que representa as usinas, informou que duas unidades no Estado já encerraram a safra: uma na região de Piracicaba (a 160 km de São Paulo) e outra em São João da Boa Vista (a 216 km de São Paulo).

Fonte: Biocana, ProCana Brasil, com informações da Folha de S. Paulo