Soja supera minério de ferro e lidera exportações do país em 2014

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Svilen Milev, SXC Svilen Milev, SXC

05/01/2015

Pela primeira vez desde 2009, a soja superou o minério e liderou as exportações da balança comercial.

Enquanto o complexo soja (grãos, farelo é óleo bruto) obteve US$ 31,3 bilhões em 2014, as exportações de minério de ferro renderam US$ 25,8 bilhões no período.

Mesmo com a liderança da soja, o agronegócio não conseguiu impedir o primeiro deficit comercial desde 2000.

Se açúcar em bruto e milho não tivessem exportado US$ 4,2 bilhões a menos em 2014, o país teria evitado o deficit, que foi de US$ 3,9 bilhões.

O grande desempenho da balança foi o café em grão, que rendeu US$ 6 bilhões para o país, um valor financeiro 30% superior ao de 2013.

Problemas climáticos na safra brasileira, o maior produtor mundial, e oferta escassa em outros países produtores puxaram os preços do café para cima.

O cenário favorável às exportações de café pelo Brasil permitiu ao país colocar o recorde de 36 milhões de sacas no mercado externo.

A Colômbia, segunda maior produtora de café arábica, começa a se recuperar, mas as incertezas sobre a próxima safra brasileira podem ainda manter os preços aquecidos neste ano.

O principal destaque negativo no ano foi o do milho, cujas receitas recuaram 38%, segundo apontam os dados do Ministério do Desenvolvimento para o período.

Após o recorde de 26,6 milhões de toneladas que saíram das fronteiras brasileiras em 2013, o pais conseguiu exportar 20,6 milhões em 2014. Apesar da queda, esse volume ainda é superior ao da média dos anos anteriores.

Neste ano, um período de grandes estoques de milho, o país ainda terá dificuldades para exportar o cereal.

Os EUA voltaram a ocupar o espaço que tinham perdido com a queda de produção há dois anos, e os estoques mundiais estão elevados.

Carnes

O ano de 2014 foi bom também para as carnes. Os dados do Ministério do Desenvolvimento, que consideram as exportações do produto "in natura", apontam para vendas de US$ 14,2 bilhões. Mas o setor deverá obter vendas totais recordes de US$ 17 bilhões.

O destaque no setor foi para a carne suína, cujas exportações renderam US$ 1,45 bilhão, 18% mais do que em 2013. O apetite russo elevou o preço no setor, gerando mais divisas.

Os preços deverão se manter aquecidos porque um dos poucos mercados disponíveis para os russos é o Brasil, após os atritos da Rússia com os países desenvolvidos, devido à crise na Ucrânia.

O Brasil melhorou também as receitas com as exportações de carne bovina a frango teve pequena queda.

No caso da carne bovina, os preços internos e externos também deverão permanecer aquecidos neste ano. O Brasil é o país que está em melhores condições de fornecer proteínas ao mercado mundial, diante da redução de rebanho nos outros países.

O mercado interno de ontem reflete bem essa situação. A arroba do boi voltou a subir e está em R$ 145 em São Paulo. Há um ano estava em R$ 117, e, em 2013, em R$ 97.

Açúcar

Uma das principais perdas de receitas do país foi com o açúcar em bruto, cujas exportações recuaram para 25 milhões de toneladas, 9% menos do que no ano anterior.

A oferta menor de açúcar no mercado internacional neste ano, inclusive por parte do Brasil, deverá impedir novas quedas nos preços do produto.

O cenário para as exportações do agronegócio vai sofrer uma deterioração neste ano, devido a demandas menores e reduções de preços. Só a soja, o carro-chefe do setor, poderá perder US$ 8 bilhões em receitas.

O setor de minério, devido à queda internacional dos preços, registrou recuo de 21% no ano passado e não há perspectivas de melhora. Já as vendas de petróleo, agora que começam a se recuperar, vão enfrentar preços baixos no mercado internacional.

*Texto publicado na coluna Vaivém das Commodities.

Fonte: Udop, com informações de Folha de S. Paulo