Térmicas do Nordeste podem ser desligadas por causa do aumento das chuvas

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Imagem: Ruben G. S., SXC Imagem: Ruben G. S., SXC

11/11/2013

O Ministério das Minas e Energia (MME) pode definir hoje o desligamento das termelétricas que estão acionadas na Região Nordeste. Na sexta-feira, elas alimentaram o Sistema Interligado nacional (SIN) com 3.190 megawatts médios, o que representa 32% da geração térmica do país. A retirada da energia que essas usinas produzem do sistema foi discutida na semana passada pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico devido ao aumento do volume de chuvas em outubro e da previsão de precipitações para as próximas semanas.

Em outubro de 2012, o governo federal acionou centenas de térmicas do país para substituir a geração hidrelétrica. Em outubro deste ano, porém, o volume de água registrado nos reservatórios das regiões Sudeste e Centro-Oeste, responsáveis por 60% da carga de energia no Brasil, aumentou 21,76% em média, saindo de 37% em igual período de 2012 para 46,65% no mesmo intervalo deste ano. O problema da geração térmica é que ela encarece o preço da fatura de energia para consumidores de todos os portes.

De janeiro a setembro, o custo do despacho das térmicas foi de R$ 8,6 bilhões, como mostram os números da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Como, de acordo com cálculos do mercado, cada R$ 1 bilhão gasto com a geração de energia em termelétricas representa 1% de elevação na tarifa de energia paga pelo consumidor, isso significa que o impacto na conta de luz dos mineiros, que será reajustada em abril do ano que vem, pode ser de 8,6%, em média.

Dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) mostram que em outubro a geração térmica ficou inferior ao total programado em todas as regiões brasileiras. No Nordeste a queda foi de 5,2%, no Sudeste e Centro-Oeste de 7,62%, no Norte de 5,2% e no Sul de 4%, o que alimenta as chances de que as térmicas do Nordeste saiam de serviço em caso de previsão de um período úmido satisfatório.

Furnas em OM nível

Segundo o ONS, o reservatório da Hidrelétrica de Furnas, no Rio Grande, considerada a mãe das usinas brasileiras, fechou outubro de 2013 com um nível de energia armazenada 79,07% maior do que em igual período do ano passado. Em Marimbondo, no mesmo rio, o nível do lago está 207,14% mais alto, saindo de 17,93% para 55,07%. No Rio Paranaíba, a Hidrelétrica de São Simão, uma das principais da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), a água acumulada do lago subiu de 28,76% para 40,54%, o que significa que o nível do reservatório está 40,96% mais alto.

Por outro lado, o lago de Emborcação (Rio Paranaíba) estava mais baixo em outubro do que em igual mês do ano passado, caindo de 46,99% para 33,62% (- 28,45%). O mesmo acontece com a Usina de Três Marias (Rio São Francisco), que fechou outubro de 2012 com o reservatório em 47,05% de sua capacidade máxima e no mês passado registrou 24,86% (- 47,16%). Em Nova Ponte (Rio Paranaíba), o volume útil saiu de 41,74% em outubro de 2012 para 34,03% em igual mês de 2013 (- 18,47%).

A irregularidade na recuperação dos lagos das usinas significa que mesmo que o Ministério das Minas e Energia decida suspender o funcionamento das térmicas do Nordeste, se as chuvas não vierem a contento elas poderão voltar a ser ligadas, onerando ainda mais o bolso do consumidor.

Fonte: Estado de Minas, por Zulmira Furbino